A derrota da Inglaterra para a Argentina por 2 a 1, ocorrida na última quarta-feira, foi um momento difícil para os torcedores. Essa é a sétima vez que a seleção inglesa é eliminada em Copas do Mundo por uma equipe que está entre as dez melhores do ranking da FIFA. Os Three Lions tinham a chance de fazer história e alcançar sua segunda final, mas acabaram caindo diante de um rival tradicional.
O time, sob a direção de Thomas Tuchel, começou bem e se mostrou forte durante boa parte do jogo. Anthony Gordon abriu o placar aos 55 minutos, mas a Argentina se impôs após o gol e virou o jogo. Vale lembrar que a Argentina foi o primeiro adversário de peso que a Inglaterra enfrentou nesta Copa. Nas quartas de final, enfrentaram a Noruega, que ocupava a 31ª posição no ranking. Desde 1998, a Inglaterra não conseguiu avançar quando enfrentou uma seleção do top 10 no mata-mata, algo que é preocupante para uma potência do futebol mundial.
Histórico de Eliminações
Desde 1998, a Inglaterra tem um histórico de eliminações em Copas do Mundo que deixa a desejar:
- 1998, oitavas: Argentina 2 x 2 Inglaterra (Argentina vence nos pênaltis, 4 a 3)
- 2002, quartas: Inglaterra 1 x 2 Brasil
- 2006, quartas: Inglaterra 0 x 0 Portugal (Portugal vence nos pênaltis, 3 a 1)
- 2010, oitavas: Alemanha 4 x 1 Inglaterra
- 2014, fase de grupos: um ponto em três jogos
- 2018, semifinal: Croácia 2 x 1 Inglaterra (prorrogação)
- 2022, quartas: Inglaterra 1 x 2 França
- 2026, semifinal: Inglaterra 1 x 2 Argentina
O Desastre Tático de Tuchel
A atuação da Inglaterra nesta semifinal levanta algumas questões sobre a estratégia do técnico. Desde o início do século, só duas seleções que marcaram primeiro em uma semifinal de Copa do Mundo não conseguiram avançar: a Inglaterra em 2018 contra a Croácia e agora contra a Argentina. Apesar do tempo que separa os dois torneios, os problemas foram parecidos: após abrir o placar, a equipe perdeu a posse de bola.
Entre os 55 e 92 minutos do jogo, a Inglaterra teve apenas 12% de posse. Tuchel fez mudanças defensivas, retirando jogadores importantes e optando por um esquema mais conservador. Ele ainda tentou reagir com substituições no final, mas já era tarde. O curioso é que, antes de marcar, a Inglaterra estava competitiva, mesmo sem criar muitas chances claras.
As Comparações com Gareth Southgate
As perguntas sobre as decisões de Tuchel são inevitáveis. Vale lembrar que ele chegou à mesma fase que Gareth Southgate em 2018. O alemão foi contratado com a expectativa de superar o que Southgate havia realizado, mas agora parece que os mesmos erros estão se repetindo. A Inglaterra, sob Southgate, já havia chegado perto de vencer, especialmente nas finais da Eurocopa de 2020 e 2024.
Tuchel, conhecido por sua expertise em competições de mata-mata, não conseguiu levar a equipe além dessa fase. A seleção parece ter dificuldade em obter resultados positivos contra seleções mais fortes, apesar de ter vencido adversários de menor porte com facilidade.
Dependência dos Craques
Outro ponto que chamou atenção foi a dependência excessiva da equipe em relação a Jude Bellingham e Harry Kane. Os dois foram responsáveis por 12 dos 14 gols da Inglaterra no torneio. No entanto, na semifinal, a Argentina conseguiu neutralizá-los, e eles não tiveram um único toque na área adversária.
Bellingham, que costuma ser uma força no meio-campo, não conseguiu se destacar e teve dificuldades em vencer os duelos físicos. Kane, apesar de seu papel na criação do gol de Gordon, não conseguiu finalizar com eficiência. Essa dependência de momentos individuais dos dois craques não é uma estratégia que se sustente a longo prazo.
A expectativa em torno de Tuchel é alta, e muitos torcedores podem questionar se ele será a pessoa certa para levar a Inglaterra a um novo nível.