Um torneio como a Copa do Mundo não é só sobre táticas e grandes jogadas. Para muitos torcedores e jogadores, a magia do futebol também está nos rituais pessoais que eles criam na esperança de ajudar sua seleção a ganhar. Pode ser vestir a mesma camiseta em cada jogo, assistir às partidas no mesmo lugar ou até repetir a mesma rotina que trouxe sorte em um jogo anterior.
Na Argentina, essa questão das superstições é algo muito sério e faz parte da cultura futebolística do país. Durante o Mundial, elas ganham ainda mais destaque. Por exemplo, na campanha vitoriosa da seleção argentina em 2022, muitos torcedores seguiram seus rituais à risca. A crença é de que qualquer mudança poderia acabar com a sorte da equipe treinada por Lionel Scaloni.
Em terras argentinas, as superstições são conhecidas como “cábalas”. Um nome que remete a uma tradição rica e que tem como um de seus maiores ícones Carlos Bilardo. Ele foi técnico da seleção campeã de 1986 e ficou famoso por seus rituais. Bilardo mantinha uma rotina rigorosa, evitando qualquer alteração que pudesse “quebrar a sorte”. Essas manias se tornaram parte do folclore do futebol argentino e mostram que, em um Mundial, até os pequenos detalhes podem ter grande importância.
Avançando para 2026, a tradição das “cábalas” segue firme. Um exemplo interessante é a defumação com Palo Santo, uma madeira aromática que tem ganhado destaque entre os jogadores atuais. Lisandro Martínez, Cristian ‘Cuti’ Romero e Nahuel Molina formam um trio que se dedica a esse ritual. Lisandro acende o Palo Santo, enquanto Cuti se encarrega de levar o acendedor, e Molina fica por perto para garantir que tudo ocorra como planejado.
Lisandro compartilhou uma experiência pessoal. Ele ficou doente durante a Copa do Mundo de 2022 e pediu que trouxessem o Palo Santo para ajudá-lo a se recuperar. “Começamos a fazer isso em todos os lugares. Acendíamos o Palo Santo, agradecíamos e desejávamos a vitória”, contou. E, claro, a superstição funcionou, já que a Argentina conquistou o título. Para 2026, a “La Banda del Palo Santo” continua firme em sua missão de defumar o ambiente antes dos jogos.
E os torcedores? Eles também não ficam de fora das superstições. Em Buenos Aires, muitos seguem rituais para dar aquela força à seleção. Conversando com alguns deles, fica claro que a paixão pelo futebol é acompanhada de crenças interessantes. Micaela Galli, por exemplo, decidiu não comprar uma nova camisa da Argentina, pois acredita que isso pode ajudar. Durante os jogos, ela se afastou da cozinha e foi para o quarto, mantendo a mesma posição que tinha feito em um jogo anterior.
Diego Zani compartilhou sua cábala: ele assiste aos jogos no mesmo lugar, cercado pelos amigos de sempre. Para ele, isso se tornou uma tradição que não pode ser quebrada. Essas pequenas manias fazem parte da identidade dos torcedores e mostram que, em um país onde o futebol tem um significado quase sagrado, cada detalhe pode fazer a diferença.
Assim, seja evitando comprar uma nova camiseta, mudando de cômodo ou repetindo o mesmo roteiro a cada partida, as superstições se tornam parte da jornada da Argentina rumo ao título. Em tempos de Copa do Mundo, todos se unem em torno dessas crenças, esperando que a sorte esteja sempre ao seu lado.