Sportv é a grande afetada pelas decisões da Globo na Copa do Mundo

Muita gente já começou a discutir sobre quem se saiu melhor na cobertura da Copa do Mundo de 2026 entre a Globo, a CazéTV e o SBT, que fez parceria com a N Sports. Porém, é quase unânime que o sportv acabou sendo o grande perdedor nessa história. E isso, em grande parte, se deve à própria Globo, que é a responsável pelo canal esportivo mais tradicional no Brasil.

Para entender melhor a situação, vamos dar uma olhadinha na trajetória do sportv. O canal começou como Top Sport em 1991, quando a Globosat foi lançada, e passou a se chamar SporTV em 1994, transmitindo os jogos da Copa do Mundo nos EUA. Desde 1998, ele passou a exibir todas as Copas ao vivo, algo que a TV Globo não conseguia fazer, pois contava com apenas um canal. Os assinantes então se acostumaram a acompanhar dias inteiros de Copa no “Canal Campeão”, que oferecia debates e programas históricos.

Porém, ao olharmos para a Copa do Mundo de 2026, percebemos que o sportv não teve o mesmo brilho. O canal transmitiu apenas 56 jogos, o que é bem menos que os 104 totais, e até inferior aos 64 que costumava exibir antes. Enquanto a Globo não sofreu tanto pela perda de jogos, o sportv realmente sentiu o impacto dessa mudança, mesmo contando com uma equipe de peso — narradores como Luiz Carlos Jr. e Paulo Andrade, além de comentaristas como Ledio Carmona, Grafite e Eric Faria.

O que aconteceu? O canal acabou ofuscado por concorrentes como a CazéTV, que virou um sucesso no YouTube, e o SBT, que trouxe Galvão Bueno de volta com força total. Até o GE TV, que não tinha direitos de transmissão no YouTube, conseguiu ganhar destaque, enquanto o sportv parecia apenas mais um canal na grade, sem grandes novidades.

Lá atrás, em 2014, o então SporTV tinha um programa memorável chamado “É Campeão”, que contava com convidados de peso como Franz Beckenbauer e Lothar Matthäus. Hoje, o que se vê são debates que não têm a mesma energia, com comentaristas que estão mais acostumados ao dia a dia do futebol de clubes. Além disso, a Globo já havia feito cortes significativos nos direitos de transmissão, o que prejudicou ainda mais o sportv. Desde que perdeu a Libertadores em 2020, quando rescindiu o contrato de forma unilateral, o canal não conseguiu recuperar seu espaço.

Na Copa do Brasil, por exemplo, o sportv sempre teve grande domínio, mas agora divide os direitos com o Prime Video, que se tornou um aliado necessário para a Globo. No Brasileirão, o canal ainda mantém sua relevância, mas não tem mais a Série B e, embora tenha recuperado jogos com a nova Lei do Mandante, frequentemente encontra suas transmissões limitadas a plataformas como o Premiere.

E não para por aí. O sportv, que sempre foi o dono da Eurocopa na TV paga, também perdeu metade dos jogos na edição de 2024 e, para 2028, a CazéTV já garantiu a exclusividade total do torneio. Para voltar a transmitir, o sportv terá que se associar a outras plataformas.

Essa situação é um reflexo das mudanças no modelo de TV paga, que vem enfrentando desafios como a pirataria e a queda no número de assinantes. Embora o sportv ainda tenha uma equipe competente e continue sendo a casa de grandes eventos como as Olimpíadas, parece que a Globo não tem captado bem as novas dinâmicas do mercado.

As reestruturações que o sportv passou nos últimos anos não conseguiram resgatar a essência de ser um canal para os verdadeiros amantes dos esportes. Para se destacar novamente, o canal precisa não apenas melhorar seus direitos de transmissão, mas também trazer conteúdos que realmente atraiam e engajem seu público.

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João Ribeiro