Conheça Austin MacPhee, especialista que sai do Villa para o Chelsea

Durante muito tempo, os treinadores focados em bolas paradas eram vistos como aqueles profissionais que ficavam nos bastidores, cuidando de um detalhe específico do jogo e raramente recebendo reconhecimento. Mas isso mudou bastante nos últimos anos. A valorização dessas jogadas, impulsionada pela análise de desempenho e a busca por pequenas vantagens, fez com que esses especialistas se tornassem peças-chave nas comissões técnicas dos clubes europeus.

Um exemplo recente dessa mudança é a contratação de Austin MacPhee pelo Chelsea. Depois de cinco temporadas no Aston Villa, ele está a caminho de Stamford Bridge, conforme noticiado por um jornalista. O escocês de 46 anos também recebeu propostas do Al-Nassr, da Arábia Saudita, mas decidiu ficar na Premier League, onde já se destacou como um dos principais especialistas em bolas paradas.

Essa decisão representa uma grande perda para o Villa, que tentou convencê-lo a permanecer. Mas MacPhee entendeu que era hora de buscar novos desafios. Sua trajetória é bem interessante e ajuda a explicar por que seu nome ganhou tanto destaque. Antes de chegar ao Aston Villa, ele passou por várias experiências, incluindo clubes como Hearts e FC Midtjylland, além da seleção da Irlanda do Norte. Nesse último, ele fez parte da histórica campanha que levou o país à Eurocopa de 2016.

Foi no Midtjylland, um clube dinamarquês conhecido pelo uso de dados e estatísticas, que MacPhee realmente aprofundou sua metodologia para as bolas paradas. O ambiente inovador do clube lhe permitiu desenvolver estratégias ofensivas e defensivas que mais tarde seriam aplicadas com sucesso na Premier League. Ao se juntar ao Aston Villa em agosto de 2021, sua carreira deu um novo salto. Trabalhando com Unai Emery, ele encontrou um treinador que também valorizava os detalhes e a preparação meticulosa.

Os resultados dessa parceria foram impressionantes. Nas últimas três temporadas, o Aston Villa marcou 74 gols a partir de bolas paradas. Somente na última temporada, o time ficou empatado com o Arsenal como o que mais fez gols desse tipo nas principais ligas europeias, com 29 gols. As jogadas elaboradas por MacPhee tornaram-se uma marca registrada do Villa, com uma variedade de estratégias que exploram as habilidades individuais de cada jogador.

Um momento marcante dessa trajetória aconteceu na final da Liga Europa, quando uma jogada ensaiada resultou em um gol de Youri Tielemans, que abriu o placar. A torcida, em uma demonstração de carinho, passou a cantar o nome de MacPhee, algo raro para um membro da comissão técnica.

Além do trabalho no Villa Park, MacPhee também atuou na seleção portuguesa. Ele foi contratado em fevereiro de 2025 para substituir Anthony Barry e trabalhou com Roberto Martínez até a saída do treinador após a Copa do Mundo. Antes disso, ele havia colaborado por três anos com a seleção escocesa ao lado de Steve Clarke.

A chegada de MacPhee ao Chelsea se encaixa em uma transformação maior no futebol moderno. Atualmente, as diferenças técnicas entre os grandes clubes estão menores, e os detalhes têm um papel crucial nas competições. E as bolas paradas são um desses detalhes que podem ser treinados e aperfeiçoados.

Outro nome que ilustra essa tendência é Nicolas Jover, do Arsenal, que transformou as bolas paradas em uma das principais armas da equipe, criando um repertório tão eficiente que chamou a atenção de adversários e analistas. Isso ajudou a consolidar uma nova abordagem que outros clubes da Premier League começaram a seguir.

Hoje em dia, não basta ter apenas um bom treinador principal. As comissões técnicas são compostas por especialistas em várias áreas: construção ofensiva, organização defensiva, transições, desempenho físico e, claro, bolas paradas. Essa divisão de responsabilidades é semelhante ao que já ocorre em esportes como o futebol americano e o beisebol.

Por isso, a contratação de MacPhee pelo Chelsea faz muito sentido. O clube está em busca de transformar a posse de bola e o volume de jogo em eficiência na hora de finalizar. Em várias partidas recentes, a equipe sentiu falta da capacidade de transformar domínio em gols decisivos. A expertise de MacPhee pode ser o diferencial que faz a diferença ao longo da temporada, oferecendo jogadas variadas e adaptadas às características dos adversários, além de potencializar as habilidades dos jogadores envolvidos nas cobranças e finalizações.

Sobre o Autor

João Ribeiro