A poucos dias da estreia na Copa do Mundo, a seleção francesa de futebol se vê no meio de uma polêmica. O motivo? Kylian Mbappé e outros jogadores do time ficaram irritados ao descobrirem que suas imagens estavam sendo usadas para promover uma casa de apostas, sem que eles tivessem sido avisados. A situação estourou após a “Betclic” lançar uma campanha publicitária com a participação de cinco atletas, incluindo Mbappé, antes da derrota da França para a Costa do Marfim.
Os jogadores se sentiram traídos, pois acreditavam que a sessão de fotos que participaram tinha outro propósito. Para eles, o uso da imagem de maneira que não foi discutida previamente com a Federação Francesa de Futebol (FFF) foi um grande descontentamento. Mbappé e o atacante do Manchester City foram os que mais se opuseram à promoção de apostas, algo que eles nunca quiseram apoiar.
A raiz desse conflito remonta a um contrato assinado em setembro de 2023 entre os advogados dos jogadores e a FFF. Esse acordo, que levou meses para ser negociado, estabeleceu regras sobre como a imagem dos jogadores poderia ser utilizada pelos patrocinadores. Um ponto importante é que a FFF se comprometeu a discutir as parcerias comerciais pelo menos duas vezes por temporada, envolvendo jogadores e dirigentes para evitar descontentamentos.
Vale lembrar que a “Betclic” não agiu de forma errada, na verdade, ela seguiu o que estava estipulado no contrato. A questão é que a federação não cumpriu sua parte ao não comunicar adequadamente os atletas sobre os patrocínios. O contrato menciona que, para que a imagem coletiva da seleção seja utilizada, é preciso o consentimento dos jogadores, algo que claramente não aconteceu neste caso.
No passado, Mbappé já havia expressado sua preocupação com a promoção de apostas. Sua advogada, Delphine Verheyden, destacou a importância de uma comunicação clara entre os jogadores e a FFF. Para ela, a imagem de um jogador carrega valores que devem estar alinhados com as campanhas publicitárias que eles aceitam fazer. Isso é especialmente relevante considerando que muitos desses atletas são vistos como modelos para os jovens.
Além dessa situação, o clima entre os jogadores e a federação não é dos melhores. Recentemente, surgiram descontentamentos sobre a proposta de redução dos bônus que seriam pagos aos jogadores pela participação na Copa do Mundo. A FFF justificou essa redução com a necessidade de cortar gastos, mas os atletas não ficaram satisfeitos com a explicação.
Outro ponto de tensão é a quantidade de ingressos disponíveis para o torneio na América do Norte. Cada jogador tem direito a apenas duas entradas cortesia e pode comprar mais seis, o que muitos consideraram insuficiente para atender às necessidades de amigos e familiares.
Com a seleção se preparando para estrear na Copa do Mundo no dia 16, contra o Senegal, as questões internas parecem deixar um clima tenso. O time está no Grupo I, ao lado de Iraque e Noruega, e a esperança é que, apesar das turbulências, consigam se unir em campo e trazer bons resultados para os torcedores.