Seleção francesa não faz parte da minha história pessoal

Iliman Ndiaye é um dos atletas que traz consigo a riqueza da dupla nacionalidade nesta Copa do Mundo. Ele é atacante do Everton, da Inglaterra, e defende as cores de Senegal, país de origem de seu pai. Curiosamente, Ndiaye teve a chance de jogar pela seleção francesa, a favorita do técnico Didier Deschamps, mas desde pequeno decidiu que seu coração pertencia ao Senegal. Nesta terça-feira (16), ele e sua seleção vão se enfrentar com a França, em Nova Jersey, a partir das 16h (de Brasília), na estreia do Grupo I.

Ndiaye nasceu em Rouen, na França, e cresceu em um ambiente que misturava culturas. Com pai senegalês e mãe francesa, ele poderia ter escolhido qualquer uma das duas seleções. No entanto, sua ligação com a herança senegalesa sempre foi mais forte. Ele chegou a viver o auge do futebol francês, assistindo às conquistas do time, mas foi a derrota da França para Senegal, na Copa do Mundo de 2002, que realmente capturou seu coração. “É claro que não assisti ao Senegal x França de 2002 ao vivo, mas vi mil vezes depois. É sempre a mesma emoção”, compartilhou em uma entrevista. Para ele, a geração de El-Hadji Diouf fez história e deixou um legado que inspirou muitos jovens jogadores, incluindo ele.

Ndiaye começou sua trajetória no futebol nas categorias de base do Rouen Sapins, sua cidade natal, e passou pelo Olympique de Marseille antes de seguir para o futebol inglês. Mesmo com a chance de jogar pela França, ele nunca se sentiu completamente conectado a essa seleção. Uma de suas lembranças mais marcantes foi quando o Rouen Sapins o levou para assistir a um jogo da seleção francesa no Stade de France. Embora tenha sido uma experiência incrível, ele afirmou que a “Seleção Francesa nunca me fez sonhar, não faz parte da minha história”.

O atacante participou da Copa do Mundo de 2022 no Catar, onde, embora tenha começado como reserva, ganhou destaque ao ser titular em um jogo crucial contra o Equador. Naquela época, ele jogava pelo Sheffield United. Agora, com sua nova equipe, o Everton, ele está animado para repetir a história de 2002 ao enfrentar a França novamente. “Essa Copa do Mundo de 2002 sempre volta a ser tema de conversa no nosso país”, conta Ndiaye, refletindo sobre a expectativa para o duelo.

Senegal está no Grupo I, que é considerado um dos mais desafiadores do torneio, junto com França, Noruega e Iraque. A seleção, que já participou das últimas duas edições, busca igualar o feito histórico de 2002 e também se inspirar no sucesso de Marrocos, que chegou às semifinais no Mundial do Catar. Ndiaye foi parte do elenco que conquistou a Copa Africana de Nações no início deste ano, embora o título tenha sido retirado em razão de uma controvérsia judicial. Apesar disso, ele e seus companheiros ainda se consideram campeões.

Agora, com a força do grupo e a motivação de um confronto tão emblemático, Ndiaye está pronto para brilhar na América do Norte e levar Senegal a novas conquistas.

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João Ribeiro