Coreia do Sul boicota imprensa local na Copa do Mundo por Son

A vitória da Coreia do Sul por 2 a 1 sobre a Tchéquia na estreia do Grupo A da Copa do Mundo trouxe boas expectativas para a equipe. Com esse resultado, a seleção se colocou em uma posição favorável para avançar para as fases eliminatórias. No entanto, fora de campo, a situação é bem diferente. A equipe está boicotando a imprensa local, e tudo isso por conta do tratamento recebido pelo capitão Son Heung-min.

O site “Football Asian” descreveu essa crise como uma das maiores rupturas entre jogadores e jornalistas na história recente da seleção. A Associação de Futebol da Coreia (KFA) chegou a emitir uma nota de descontentamento, e o chefe de imprensa acabou pedindo demissão.

A polêmica começou antes mesmo do jogo. Durante um treino aberto em Guadalajara, jornalistas perceberam que Son estava correndo um pouco afastado do grupo principal, e isso gerou críticas. Um microfone aberto pegou comentários depreciativos de alguns repórteres sobre o atacante, que também é conhecido por ter se beneficiado de uma dispensa do serviço militar obrigatório.

Na Coreia do Sul, o serviço militar é obrigatório e dura 21 meses para todos os homens, que devem cumpri-lo antes dos 28 anos. No entanto, atletas de destaque como Son podem se isentar desse alistamento por meio de uma “honraria especial”, que pode ser conquistada ao ganhar medalhas em competições internacionais, como os Jogos Asiáticos ou a Copa do Mundo.

Em 2018, após vencer o Japão na final dos Jogos Asiáticos, Son conseguiu essa isenção. Ele então cumpriu um período de três a cinco semanas de treinamento básico no Corpo de Fuzileiros Navais, o que é o mínimo exigido. Por conta da pandemia de Covid-19, ele fez esse serviço em abril de 2020, durante a paralisação do futebol.

Após o vazamento dos áudios em que jornalistas criticavam a maneira como Son cumpriu seu serviço militar, a reação da torcida e dos colegas de equipe foi de apoio ao capitão. Na zona mista, após a vitória contra a Tchéquia, Son, que normalmente é muito acessível à imprensa, se recusou a dar entrevistas. Hwang In-beom, que também fez uma boa partida, teve sua entrevista cancelada, embora a justificativa oficial tenha sido um “conflito de agenda”.

Fontes internas sugerem que essa recusa foi uma decisão conjunta entre os jogadores, em solidariedade a Son. Em uma nota, a KFA expressou sua indignação com a “linguagem inadequada e desrespeitosa” utilizada por alguns jornalistas. O chefe de imprensa do evento acabou renunciando, assumindo a responsabilidade pela crise nas relações com a seleção.

Com a equipe unida em torno de Son, a Coreia do Sul já se prepara para enfrentar o México na próxima quinta-feira, e a expectativa é de que o clima entre os jogadores e a imprensa se normalize em breve. A última partida da fase de grupos será contra a África do Sul, e todos esperam que a seleção mantenha o bom desempenho em campo.

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João Ribeiro