No filme “As Horas”, a escritora Virginia Woolf, interpretada por Nicole Kidman, termina sua obra “Mrs. Dalloway” com uma frase impactante: “É mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade”. Essa reflexão pode muito bem se aplicar à situação atual de Carlo Ancelotti, o treinador da Seleção Brasileira, que tem que lidar com dois fantasmas: Neymar e Endrick.
Esses fantasmas foram, de certa forma, criados por Ancelotti e agora fazem parte da sua rotina. A pressão popular e comercial para convocar Neymar acabou colocando o treinador em uma situação delicada. Ele se vê em um dilema ético, já que a presença do jogador pode não estar alinhada com o que seria ideal para o time. Por outro lado, a ausência de Endrick no ataque brasileiro é um mistério que não faz sentido para muitos, o que leva a uma pressão intensa da mídia e da torcida para que ele seja convocado.
Falando sobre Endrick, é interessante notar que a realidade pesa mais que qualquer fantasma. O ídolo do futebol Tostão, sempre sábio em suas análises, até fez um apelo em sua coluna: “Ancelotti, escale o Endrick”. É um clamor que ecoa nas arquibancadas e nas conversas entre os fãs, que veem no jovem talento uma grande promessa.
E quanto a Neymar? Ele também é um fantasma que afeta outros, incluindo o médico Rodrigo Lasmar. Recentemente, Lasmar havia declarado que o jogador estaria liberado em três semanas. No entanto, ao que parece, esse prazo não se concretizou. Em um treino realizado em New Jersey, Neymar foi visto isolado em um pedaço de campo, apenas fazendo trotes e seguindo um protocolo de fisioterapia. Isso levanta questões sobre a real condição do atleta, que parece mais um cumprimento de uma formalidade do que um retorno efetivo aos gramados.
Neste cenário, é interessante perceber que o médico parece estar mais comprometido do que Ancelotti. No futebol, os limites éticos muitas vezes são definidos pela própria consciência do treinador. Já na medicina, a situação é diferente; as diretrizes são estabelecidas pelo Juramento de Hipócrates, que obriga os profissionais a priorizarem a saúde e o bem-estar do paciente acima de tudo. É uma linha tênue que, no fundo, afeta não apenas os envolvidos, mas também os torcedores, que acompanham tudo com grande expectativa.