A Alemanha voltou a um mata-mata de Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014, mas a sensação de reconstrução que havia se instalado durou pouco. Na última segunda-feira (29), a seleção tetracampeã foi eliminada pelo Paraguai nos pênaltis, em Boston. Essa derrota reacende um debate que ronda o futebol alemão há mais de dez anos: será que o problema é apenas circunstancial ou já faz parte da estrutura do time?
Antes da partida, a pressão sobre o técnico Julian Nagelsmann já era grande, e agora só tende a aumentar. A queda não foi contra uma seleção tradicionalmente forte, mas sim contra um adversário que seguiu o plano que havia prometido. A Alemanha teve mais posse de bola e controlou o jogo em diversos momentos, mas, como em outras ocasiões, não conseguiu transformar esse domínio em efetividade.
### Expectativas e Realidade
A campanha na Copa deste ano havia criado expectativas. O triunfo de 7 a 1 sobre Curaçao no primeiro jogo deixou muitos animados. No entanto, logo surgiram sinais de alerta. A vitória apertada por 2 a 1 contra a Costa do Marfim revelou dificuldades em lidar com um adversário mais organizado, enquanto a derrota para o Equador expôs problemas defensivos e aumentou a pressão sobre Nagelsmann. Contra o Paraguai, essas preocupações se tornaram evidentes.
A Alemanha teve um desempenho que se tornou uma marca registrada: muito controle da bola, mas pouca profundidade nas jogadas. Durante os 120 minutos contra o Paraguai, ficou claro que a equipe tinha dificuldade em quebrar a defesa adversária, que estava bem posicionada e esperando por um erro. Os jogadores alemães insistiam em uma circulação de bola lenta e previsível, tornando difícil para os atacantes encontrarem espaço. Muitas vezes, a única solução era apelar para cruzamentos, o que não se mostrou eficaz.
### Nagelsmann em Foco
Julian Nagelsmann chegou à seleção alemã com grandes expectativas. Considerado um dos treinadores mais promissores da sua geração, sua missão era modernizar o time e colocá-lo de volta entre as grandes potências do futebol mundial. Em alguns momentos, o time mostrou um bom desempenho, com uma organização interessante e resultados convincentes. No entanto, a Copa do Mundo revelou uma distância significativa entre controlar os jogos e vencer partidas decisivas.
A eliminação não será vista como um acidente isolado. Ela reforça um debate que já existia e aumenta a pressão sobre o trabalho de Nagelsmann. O que preocupa não é apenas o resultado, mas a repetição de problemas. A Alemanha tem enfrentado dificuldades sempre que se depara com adversários que são defensivamente sólidos e reativos. Faltou criatividade para criar jogadas e velocidade para circular a bola, o que em torneios curtos pode ser fatal.
### Comparação com o Passado
O contraste com a seleção campeã de 2014 é evidente. Aquela equipe conseguia alternar ritmos e pressionava de forma eficaz logo após perder a bola, encontrando diferentes caminhos para atacar. A atual seleção, mesmo com jogadores talentosos, parece depender demais do controle territorial, sem conseguir transformar essa posse em uma vantagem real.
Embora a eliminação diante do Paraguai não apague o potencial desta geração, ela reforça que talento não é suficiente. O Mundial expôs fragilidades que a seleção alemã carrega há anos, e que ainda não foram resolvidas. Para um país que sempre se destacou pela regularidade, essa terceira campanha consecutiva abaixo das expectativas aumenta a sensação de que a reconstrução ainda está longe do fim. E, após mais uma eliminação frustrante, Nagelsmann deve esperar ser o principal alvo das cobranças.