Matheus Cunha e a camisa 9: estigma para o centroavante do Brasil

Matheus Cunha foi escolhido para ser o camisa 9 da seleção brasileira na Copa do Mundo, segundo anúncio oficial da CBF. Essa escolha pode gerar algumas expectativas diferentes entre os torcedores, já que o número carrega uma história rica, especialmente por ser associado a grandes ídolos como Ronaldo Fenômeno.

Vamos entender melhor a atuação de Matheus em campo. Ele começou sua trajetória no Wolverhampton, onde se destacou jogando como ponta-esquerda e, em seguida, como um meia-atacante. Ao se transferir para o Manchester United, continuou nessa posição, mas sempre com um toque criativo que foge do estereótipo do centroavante tradicional.

No Hertha Berlin, Matheus fez o papel de centroavante, mas não era aquele tipo clássico que se posiciona de costas para o gol, esperando cruzamentos. Ele sempre se destacou mais como um criador de jogadas. Em sua temporada de titularidade, fez sete gols e contribuiu com quatro assistências na Bundesliga, mostrando que seu talento vai além de apenas balançar as redes.

Quando passou pelo Atlético de Madrid, Matheus não conseguiu brilhar tanto quanto se esperava. Isso se deveu, em parte, à forma como o time utilizava suas habilidades. No entanto, foi na Premier League que ele realmente se encontrou. Mesmo jogando na ponta, teve liberdade para se movimentar e se aproximar do gol, resultando em 12 gols e sete assistências em sua temporada completa.

A verdade é que Matheus não é um centroavante no sentido mais tradicional. Seu estilo de jogo se assemelha mais a um Neymar do que a outros atacantes mais fixos. Ele é um meia-atacante que tem uma habilidade excepcional de chegar à área e finalizar, mas sua função vai além disso. Ele se envolve na construção das jogadas, ajudando a criar oportunidades para os colegas.

Na seleção, a participação de Matheus também é distinta. Quando jogou sob o comando de Carlo Ancelotti, ele atuou como um falso nove, recuando para ajudar na construção das jogadas. Enquanto isso, Vinícius Júnior atacava a profundidade. Essa dinâmica era muito eficaz, mas a saída de alguns jogadores-chave acabou mudando a forma como a seleção jogava.

Recentemente, Ancelotti voltou a utilizar o esquema 4-3-3, que permitiu uma melhor progressão das jogadas, focando principalmente nas laterais. Nesse sistema, Matheus teve a chance de atuar como um “camisa 8”, contribuindo para a criação de jogadas e abrindo espaço para os atacantes.

A dúvida que fica é como Ancelotti pretende usar Matheus Cunha. A expectativa é que ele jogue como um atacante móvel, que contribui na construção de jogadas e também ataca a profundidade, mas sem ser o centroavante tradicional que muitos esperam.

Há um certo receio de que, assim como aconteceu com Gabriel Jesus na Copa de 2018, Matheus Cunha possa ser mal interpretado em sua função. Jesus, que jogou como um camisa 9, acabou se afastando do gol ao recuar para ajudar na defesa, o que gerou frustração entre os torcedores. Matheus pode enfrentar um desafio semelhante se, ao ser escalado como meia, acabar se dedicando demais à marcação. Isso é algo que pode ser difícil para o público aceitar, especialmente quando se tem um jogador com a responsabilidade de vestir a camisa 9.

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João Ribeiro