Discurso de Scaloni após vitória da Argentina revela contradição

A Argentina teve mais uma partida difícil na Copa do Mundo, lembrando os desafios que enfrentou contra Cabo Verde e Egito. Desta vez, o adversário foi a Suíça, e a vitória só veio na prorrogação, com um placar de 3 a 1. O técnico Lionel Scaloni tem um grande desafio pela frente: a semifinal contra a Inglaterra, marcada para a próxima quarta-feira, dia 15.

Na entrevista após o jogo, Scaloni foi bem sincero. Ele comentou que os resultados positivos têm escondido algumas falhas nas atuações da equipe. “Precisamos ser realistas. Há muitos aspectos do nosso jogo que precisam melhorar. Às vezes, a vitória pode ocultar esses detalhes, mas sabemos que eles existem”, afirmou. Ele também reconheceu que a sorte esteve ao lado da Argentina em momentos-chave da partida.

Embora reconheça as dificuldades, Scaloni também parece um pouco contraditório. Muitas das escolhas que fez, incluindo a formação contra a Suíça, contribuíram para a pressão que sua equipe enfrenta. O estilo de jogo adotado, focado em passes curtos e em manter muitos jogadores próximos no meio-campo, funcionou bem na fase de grupos, onde a Argentina enfrentou times como Argélia, Áustria e Jordânia. Porém, na fase de mata-mata, essa estratégia tem mostrado suas fraquezas, especialmente devido ao estado físico de jogadores importantes.

Enzo Fernández, Rodrigo De Paul e Alexis Mac Allister não estão em boa forma, o que acaba comprometendo o desempenho da equipe. Além disso, mesmo os atacantes Julián Álvarez e Lautaro Martínez, que marcaram gols contra a Suíça, estão com atuações abaixo do esperado. Thiago Almada, que perdeu a titularidade para Leandro Paredes, também não tem conseguido se destacar, embora Paredes esteja fazendo uma boa Copa.

A entrada de Paredes e de Nicolas Tagliafico na lateral esquerda foram decisões acertadas de Scaloni. No entanto, ele manteve a mesma formação por muito tempo, mesmo quando as coisas não estavam funcionando. Na partida contra a Suíça, ele só fez mudanças aos 78 minutos, colocando Nico González na lateral esquerda, enquanto De Paul saiu apenas aos 85 minutos e Enzo no início da prorrogação. As substituições não foram para reforçar o meio-campo, mas para adicionar mais atacantes, como Lautaro, Álvarez, Flaco López e Almada.

Paredes saiu lesionado, mas disse que não é nada grave. Cristian Romero, que já tinha problemas físicos antes da Copa, também saiu desgastado, dando lugar a Nicolas Otamendi. A equipe parece clamando por mais mudanças e rotações, mas Scaloni tem se mostrado conservador nas suas decisões.

Quando a Argentina conquistou o título mundial há quase quatro anos, Scaloni se destacou por sua flexibilidade. Ele não hesitou em mudar o time conforme a necessidade, utilizando sete escalações diferentes durante a competição. Jogadores mais jovens, como Enzo Fernández e Julián Álvarez, foram fundamentais na campanha. Agora, em 2026, parece que Scaloni está mais preso aos pilares da equipe de 2022, o que pode ser arriscado em uma semifinal desafiadora contra a Inglaterra. O vencedor dessa partida enfrentará França ou Espanha na final, marcada para 19 de julho.

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João Ribeiro