Neste sábado, dia 12, às 19h (horário de Brasília), Marrocos e Brasil vão se encontrar em um jogo que promete agitar a abertura de suas campanhas na Copa do Mundo de 2026. As duas seleções estão bem posicionadas no ranking da FIFA, e esse duelo gera muito debate, especialmente na África, onde várias equipes têm tentado se apropriar do título de “Brasil da África”. Após a histórica performance do Marrocos na Copa do Catar em 2022, a pergunta que fica é: será que eles podem realmente ser considerados o “Brasil da África”?
A História de Gana como o “Brasil da África”
Antes de mais nada, é importante lembrar que, historicamente, esse título pertence a Gana. Muito antes do Marrocos brilhar em 2022, os ganeses já eram comparados ao Brasil. Essa relação vai além do futebol; remonta ao século XIX, quando ex-escravizados do Brasil retornaram a Gana, formando uma comunidade conhecida como os Tabom, em Accra.
Nos anos 1960, essa conexão se fortaleceu ainda mais. O famoso treinador ganês, C.K. Gyamfi, ficou tão impressionado com os sucessos de Pelé e Garrincha que decidiu ir ao Brasil para aprender com eles. Ao voltar, ele incorporou várias táticas brasileiras ao estilo de jogo de Gana, especialmente o famoso esquema 4-2-4. O resultado disso? Duas Copas Africanas de Nações consecutivas em 1963 e 1965, consolidando Gana como o “Brasil da África” e deixando um legado que ainda é lembrado com carinho.
Marrocos: Uma Nova Perspectiva
Agora, se Gana tem a legitimidade histórica, o Marrocos pode ser visto como a seleção africana que mais se aproxima do Brasil em tempos modernos. Isso se dá, primeiro, pelos resultados. Os Leões do Atlas foram semifinalistas na Copa de 2022 e ocupam atualmente a sétima posição no ranking da FIFA, logo atrás do Brasil.
Além disso, o estilo de jogo do Marrocos vem se tornando cada vez mais ambicioso e criativo. Sob a liderança de Mohamed Ouahbi, a equipe busca um futebol mais ofensivo, com foco na posse de bola e na técnica individual. Jogadores como Achraf Hakimi e Brahim Díaz estão entre os talentos que fazem parte dessa geração excepcional.
Entretanto, é preciso lembrar que cada país tem sua própria identidade no futebol. O Brasil tem um jeito único de jogar, e cada nação africana traz consigo uma rica história e cultura. Portanto, simplificar o Marrocos como um “Brasil africano” pode não fazer justiça à sua singularidade.
E a Argélia, Onde Fica?
O debate sobre qual seleção se aproxima mais do estilo brasileiro na África não se limita apenas ao Marrocos. A Argélia também tem sido citada nesse contexto. Durante anos, muitos consideraram a equipe argelina como a mais próxima do espírito do futebol brasileiro. A habilidade técnica e a criatividade sempre foram marcas registradas dos jogadores argelinos, de Belloumi e Madjer a Mahrez e Belaïli.
Embora a equipe esteja passando por um processo de renovação, talentos como Anis Hadj Moussa e Amine Gouiri ainda mantêm viva essa tradição de habilidade com a bola.
A Diversidade do Futebol Africano
No fundo, a verdadeira questão pode não ser qual seleção é o “Brasil da África”, mas sim reconhecer a riqueza do futebol africano em toda a sua diversidade. Gana traz uma herança histórica, a Argélia se destaca pela técnica, e o Marrocos brilha com resultados impressionantes. Essa variedade é o que realmente enriquece o futebol no continente.