Demorou um pouquinho, mas finalmente o Brasil conseguiu abrir o placar contra o Japão nesta segunda-feira, dia 29. Foram 95 minutos de pura tensão e ansiedade no Estádio de Houston, tanto nas arquibancadas quanto dentro de campo. O momento decisivo veio quando Rayan fez uma bela pressão, roubou a bola e passou para Bruno Guimarães. Ele encontrou Gabriel Martinelli livre na área, que não perdeu a chance e marcou o gol nos acréscimos. A euforia tomou conta dos mais de 70 mil torcedores presentes, além dos 25 jogadores da seleção e da comissão técnica. Uma verdadeira festa, especialmente por ser a primeira virada do Brasil em Copas desde 2002, quando venceram a Inglaterra por 2 a 1 nas quartas de final. Mas, curiosamente, Carlo Ancelotti, o técnico, não esboçou um sorriso.
Enquanto a torcida vibrava, Ancelotti mastigava seu chiclete e optou por trocar Bruno Guimarães por Danilo Santos, buscando reforçar a defesa e garantir o triunfo sobre os japoneses. Essa escolha, além da experiência de Ancelotti, mostra porque ele foi escolhido pela CBF. Em momentos complicados, o treinador mantém a calma, confiando que seus jogadores podem reverter a situação.
Ele mesmo admitiu que a estratégia inicial não funcionou como esperado. O meio-campo brasileiro não conseguiu dominar a partida, especialmente diante do Japão, que se mostrou forte e bem organizado. “O movimento entre linhas não funcionou”, disse o técnico na coletiva após o jogo. No intervalo, com o Brasil perdendo, ele ainda estava confiante. “Estava tranquilo. O time estava jogando bem. Depois do gol, enfrentamos dificuldades, mas o Japão é um adversário respeitável”, comentou.
Ancelotti também brincou sobre a situação de Casemiro, que teve um início de jogo complicado e permaneceu em campo mesmo com a torcida pedindo sua substituição. “É normal errar”, disse ele, ressaltando a importância de aprender com as falhas. O único gol japonês, marcado por Kaishu Sano, foi um erro defensivo que deixou o Brasil atrás no placar. No entanto, após o intervalo, ele fez algumas mudanças, principalmente por conta de uma lesão de Lucas Paquetá, que foi substituído por Endrick.
O Brasil então adotou uma nova estratégia, utilizando mais a bola aérea para superar a defesa do Japão. E não demorou muito para que as chances começassem a surgir. Foram 40 cruzamentos em direção ao gol japonês, e logo aos 11 minutos do segundo tempo, Casemiro, que havia sido criticado, fez o gol de empate. Ancelotti, que manteve o volante em campo, viu sua confiança ser recompensada.
Após o jogo, Martinelli elogiou o clima que Ancelotti trouxe para a equipe. “Ele só nos deu confiança. Disse que íamos empatar e virar, independente do tempo que levasse”, contou o atacante do Arsenal. Ancelotti já tinha até um plano caso a partida fosse para a prorrogação: Neymar, que havia reestreado na seleção, entraria para dar um gás à equipe. Mas com 20 finalizações do Brasil em direção ao gol japonês, não foi necessário.
Quando a CBF buscou um novo técnico, Ancelotti estava na lista por sua filosofia de jogo e postura serena à beira do campo. Ele sempre enfatizou o aspecto psicológico em torneios como a Copa do Mundo, uma habilidade que já havia demonstrado ao treinar Vinicius Júnior no Real Madrid. Sob sua liderança, o time espanhol viveu “noites mágicas”, como as viradas incríveis nas fases eliminatórias da Champions League. Agora, a seleção brasileira conseguiu emular esse espírito e se prepara para mais um desafio rumo ao hexacampeonato.
No próximo domingo, dia 5, o Brasil enfrentará a Costa do Marfim ou a Noruega, às 14h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford. A expectativa é grande, e o clima é de esperança e confiança na equipe.