A Copa do Mundo recentemente realizada na América do Norte trouxe reflexões interessantes sobre o futebol sul-americano. Pela primeira vez, uma seleção da Conmebol não conseguiu conquistar o torneio, e isso acende um alerta sobre o futuro do futebol na região. A Argentina, que chegou à final, foi dominada e parece que estamos entrando em um período complicado, especialmente após a era de um grande jogador como Lionel Messi. Esse cenário lembra o que aconteceu com o Brasil após Pelé e com a Argentina após Maradona.
Falando do Brasil, a situação é delicada. Em partidas eliminatórias, cada detalhe conta. Uma substituição mal feita pode custar caro, e foi isso que aconteceu em um jogo contra a Noruega. Sem essa decisão equivocada, quem sabe o Brasil não teria avançado? Mas, como disse Carlo Ancelotti, “se” não ganha jogo. E novamente, a seleção brasileira foi eliminada por uma equipe europeia que não está entre as mais fortes.
As lições da Copa do Mundo para as seleções da América do Sul
E os outros times da América do Sul? Nos últimos anos, as seleções menores têm mostrado evolução. O grande responsável por isso é o formato das Eliminatórias, que começou em 1996. Essa mudança trouxe uma dinâmica de jogos mais frequentes e competitivos, permitindo que as equipes se desenvolvessem melhor, com a possibilidade de manter um elenco coeso e investir em novos talentos.
Antes de 1996, o Equador, por exemplo, tinha apenas cinco vitórias nas Eliminatórias. Hoje, eles chegam às Copas com um espírito de competição renovado. Além do Equador, outras seleções como Colômbia, Paraguai e Chile também tiveram suas melhores participações em Copas do Mundo desde a adoção desse novo formato. O Uruguai, por sua vez, voltou a ser uma força a ser reconhecida.
É verdade que a Europa tem algumas seleções que não são tão fortes, mas, em contrapartida, possui a maioria dos times mais competitivos. Quando olhamos para as seleções europeias de 1994, percebemos o quanto a situação mudou. Hoje, é comum ver talentos excepcionais em times como Espanha, França e Inglaterra, que se destacam com um estilo de jogo diferenciado.
Na última Copa, a primeira semifinal foi um verdadeiro espetáculo, onde a França mostrou seu ataque explosivo e a Espanha, sua habilidade na posse de bola. Parecia um reencontro com a essência do futebol brasileiro. A Europa aprendeu a desenvolver talentos, e isso também está impulsionando o crescimento das seleções africanas.
Nesse contexto, a América do Sul tenta se fazer valer, lutando com garra e um forte sentimento nacional. Para muitos jogadores, vestir a camisa da seleção é quase como ir à guerra, dispostos a dar tudo para derrotar os adversários.
O Equador e o Paraguai mostraram essa determinação ao vencer a Alemanha, enquanto a Argentina, com a magia de Messi, chegou à final. Mas, mesmo com essa garra, é evidente que apenas a luta não é suficiente. Quando as derrotas ocorrem, é comum que surjam exageros e comportamentos antidesportivos.
Queremos ver raça e empenho, mas também é preciso pensar em um desenvolvimento mais estruturado. Uma abordagem futebolística que se torne parte de um processo nacional pode ser a chave. Afinal, esse foi o caminho que levou a Espanha a ter sucesso no cenário internacional.