Quando a Colômbia entrar em campo contra o Uzbequistão nesta quarta-feira, às 23h (horário de Brasília), todos os olhares estarão voltados para um jogador que, mesmo fora dos holofotes dos clubes, continua a ser um ícone para os colombianos: James Rodríguez. Aos 34 anos, ele vive uma situação curiosa no mundo do futebol. Enquanto suas últimas passagens por clubes foram marcadas por lesões e dificuldades, seu papel na seleção é inabalável e sempre cheio de emoção.
James ganhou notoriedade na Copa do Mundo de 2014, onde foi o artilheiro do torneio e se tornou um símbolo da geração mais vitoriosa do futebol colombiano. Para muitos torcedores, o que ele faz com a camisa amarela é muito mais relevante do que suas performances em clubes. É como se, ao vestir a seleção, ele se transformasse em um verdadeiro herói nacional.
Dois lados de James
A trajetória de James no futebol de clubes não conseguiu manter o brilho que ele mostrou durante o Mundial no Brasil. Depois de uma ótima temporada no Real Madrid e um início promissor no Bayern de Munique, sua carreira passou a ser uma montanha-russa de altos e baixos. Ele jogou em times como Everton, Al-Rayyan, Olympiacos e São Paulo, onde, apesar de ter mostrado lampejos de qualidade, não conseguiu a consistência esperada de alguém que já foi considerado um dos melhores do mundo.
O jornalista colombiano Felipe Ocampos comenta essa discrepância. Ele destaca que muitos se perguntam por que James não consegue reproduzir o mesmo desempenho dos tempos de seleção em clubes. Para Ocampos, os melhores momentos de James ocorreram em sua primeira temporada no Real Madrid e no Bayern, mas depois disso, ele teve apenas algumas aparições pontuais de bom futebol.
O capitão da seleção
Na seleção colombiana, os números falam por si. James é o segundo maior artilheiro da história do país e, como capitão, teve um papel fundamental na campanha que levou a Colômbia à final da Copa América de 2024. Mesmo sem atuar regularmente em alto nível nos clubes, ele continua a ser decisivo, criando jogadas e distribuindo assistências. Durante as Eliminatórias da Copa, ele foi o líder em assistências, com sete, e criou impressionantes 56 chances de gol, o dobro do segundo colocado.
Ocampos explica que esse histórico ajuda a justificar a devoção da torcida por James. Ele é um dos jogadores mais amados, não só pela sua qualidade em campo, mas também pelo seu comprometimento com a seleção ao longo de mais de dez anos. James simboliza um período de crescimento do futebol colombiano e uma conexão emocional que se construiu ao longo dos anos.
O peso da história
Nos últimos meses, o carinho dos colombianos por James se tornou ainda mais evidente. O lançamento de um documentário sobre sua carreira na Netflix reacendeu discussões sobre sua trajetória e reforçou sua imagem como um ídolo nacional. É raro ver um atleta manter tanto prestígio mesmo depois de ficar longe do auge em clubes, mas James é uma exceção. Para muitos, ele não é apenas um ex-craque tentando prolongar a carreira, mas sim o rosto de uma geração que colocou a Colômbia em um lugar de destaque no futebol.
Diante do Uzbequistão, as expectativas são altas. A Colômbia volta a uma Copa do Mundo após ficar de fora em 2022 e chega com um time mais experiente e qualificado. Sob o comando de Néstor Lorenzo, a equipe teve uma boa campanha nas Eliminatórias Sul-Americanas, com Luis Díaz e James como os protagonistas do ataque.
O Uzbequistão, por sua vez, faz sua estreia histórica em Copas do Mundo, vindo de uma campanha sólida nas Eliminatórias Asiáticas e um estilo de jogo marcado pela organização defensiva. No entanto, eles enfrentaram dificuldades em amistosos contra seleções de maior nível técnico.
Com toda essa história e expectativa, a Colômbia entra em campo como favorita, contando com a experiência internacional e a habilidade de seu elenco. James, mesmo sem o brilho de seus melhores dias, ainda é a esperança de muitos torcedores.