Real Madrid lucra quase R$ 1 bilhão com vendas da base

O Real Madrid está passando por uma transformação impressionante nesta janela de transferências, mas o mais legal é que o clube não precisou se desfazer de suas estrelas para isso. Enquanto todos estão de olho nas novas contratações e nas mudanças no elenco, o time espanhol vem acumulando receitas significativas, principalmente com os talentos que saíram de Valdebebas, sua famosa base.

Para se ter uma ideia, o Real Madrid investiu cerca de 90 milhões de euros em reforços como Marc Cucurella e Denzel Dumfries, além de ter pago uma multa rescisória para trazer José Mourinho de volta ao futebol espanhol. Isso tudo antes mesmo de desembolsar cerca de 120 milhões por Yan Diomandé. À primeira vista, pode parecer um grande gasto, especialmente considerando que o clube fez poucas vendas de jogadores do elenco principal.

Até agora, as vendas renderam apenas 7,5 milhões de euros, com Fran García sendo negociado com o Betis por 4 milhões e Mario Martín indo para o Getafe por 3,5 milhões. Mas a história muda quando os negócios envolvendo os jogadores da base entram em cena.

Gonzalo García e Nico Paz: as joias da base

As maiores receitas desta janela vieram de jovens revelados em Valdebebas. De acordo com informações, o Real Madrid negociou Gonzalo García com o Fulham por impressionantes 40 milhões de euros. César Palacios também se juntou ao clube inglês, rendendo mais 10 milhões. Essas duas vendas sozinhas trouxeram 50 milhões para os cofres merengues.

Essa estratégia de transformar a base em uma fonte de receita é uma das prioridades da diretoria. Mesmo que alguns desses jogadores não consigam espaço no time principal, o clube garante um retorno financeiro a longo prazo por meio de cláusulas de revenda. Muitas vezes, o Real Madrid mantém 50% do valor de futuras vendas, o que significa que, mesmo após vender um atleta, ele ainda pode lucrar com uma negociação posterior.

O caso de Nico Paz

Um exemplo notável é o de Nico Paz. Ele foi vendido ao Como, mas o Real Madrid incluiu condições contratuais que acabaram rendendo um retorno significativo. Quando o clube italiano decidiu cancelar a cláusula de recompra, os espanhóis conseguiram receber aproximadamente 51 milhões líquidos, além de manter a possibilidade de uma futura recompra.

Outro exemplo de sucesso é o atacante Víctor Muñoz. Após sua venda para o Osasuna, ele se destacou no futebol e acabou sendo vendido para o Liverpool por 40 milhões de euros. Como o Real Madrid manteve 50% dos direitos sobre uma venda futura, embolsou 20 milhões, além dos 25 milhões que já havia recebido do Osasuna.

Mais lucros da base

A lista de receitas continua com outros nomes da base. O zagueiro Mario Gila, vendido da Lazio ao Milan por 30 milhões, trouxe 15 milhões para o Real Madrid. Já Alex Jiménez, que nunca chegou a jogar pelo time principal, também gerou lucro. O Bournemouth pagou 18,5 milhões para contratá-lo do Milan, e metade desse valor, 9,25 milhões, foi para os espanhóis.

No total, essas operações geraram mais de 170 milhões de euros, o que quase cobre toda a janela de transferências do clube sem precisar vender seus jogadores mais importantes. A diretoria acredita que essa fonte de receita vai continuar crescendo nos próximos mercados.

Um dos nomes a ser observado é o de Sergio Arribas, que brilhou no Almería e está na mira de clubes europeus. Uma eventual venda pode render mais 6 milhões ao Real Madrid. Outro jogador a ser acompanhado é Álvaro Rodríguez, que fez um gol marcante contra o Atlético de Madrid e agora defenderá o Bournemouth. Se ele for negociado novamente, também pode gerar receitas futuras.

Essa abordagem do Real Madrid mostra como o clube transformou sua base em um ativo financeiro estratégico, diferente do estilo do Barcelona, que costuma usar esses jogadores no próprio time. Em vez de depender apenas da venda de grandes estrelas, o Real Madrid está colhendo frutos de uma gestão inteligente dos talentos que, muitas vezes, nem sequer chegaram a se firmar no time principal.

Sobre o Autor

João Ribeiro