A campanha da Alemanha no Grupo E da Copa do Mundo de 2026 terminou de forma um tanto amarga em New Jersey. A derrota por 2 a 1 para o Equador quebrou uma sequência impressionante de 11 vitórias e deixou um clima de incerteza em torno de uma seleção que começou o torneio com tudo. Apesar do revés, os comandados de Julian Nagelsmann conseguiram avançar para o mata-mata como líderes do grupo, graças à vitória anterior contra a Costa do Marfim. Mas esse resultado levantou algumas questões que Nagelsmann vai precisar responder rapidamente antes das oitavas de final, que acontecem no Gillette Stadium no dia 29 de junho.
Uma das decisões mais debatidas da noite foi a escolha da escalação. Mesmo já classificados, a Alemanha entrou em campo com uma formação quase idêntica à dos jogos anteriores, buscando manter a coesão e o ritmo. Contudo, essa estratégia não funcionou como esperado.
O jogo contra o Equador: o que aconteceu?
A Alemanha começou bem, abrindo o placar logo aos dois minutos com um gol de Leroy Sané, após uma jogada de Florian Wirtz que quebrou a defesa equatoriana. No entanto, esse gol foi logo questionado pelo VAR devido a uma possível falta de Aleksandar Pavlovic na construção da jogada. O Equador não demorou a reagir e, quase imediatamente, Nilson Angulo empatou com um belo chute de fora da área. A partir desse momento, o controle da partida passou a ser disputado, e a Alemanha, que deveria dominar, se viu em dificuldades.
O meio-campo equatoriano, liderado por Moisés Caicedo e Pedro Vite, conseguiu desorganizar as linhas de passe alemãs, limitando o tempo de posse de bola dos europeus. Além disso, a defesa da Alemanha, que teve que lidar com as saídas de Nico Schlotterbeck e Nathaniel Brown devido a lesões, ficou descoordenada e não conseguiu acompanhar a intensidade do jogo.
O gol da vitória equatoriana veio aos 77 minutos, quando Kevin Rodríguez superou Jonathan Tah e desviou de cabeça para Gonzalo Plata, que finalizou com precisão e garantiu a vitória para o Equador. Essa derrota pareceu mais um reflexo de um desequilíbrio acumulado ao longo do jogo do que de um único erro.
As escolhas de Nagelsmann e a questão de Undav
Um ponto que chamou a atenção foi a utilização de Deniz Undav. O atacante do Stuttgart chegava ao jogo contra o Equador com nove gols em 11 convocações e havia sido fundamental nos jogos anteriores, saindo do banco e contribuindo com um gol e duas assistências contra Curaçao, além de uma dobradinha decisiva contra a Costa do Marfim. No entanto, contra o Equador, ele começou no banco e só entrou aos 60 minutos, quando a situação já estava complicada. Essa decisão levantou dúvidas sobre a estratégia de Nagelsmann, já que o histórico de Undav torna difícil justificar seu tempo limitado em campo.
Preparação para as oitavas de final
Com a classificação garantida, agora a preocupação se volta para as correções que a equipe precisa fazer antes do próximo jogo. O adversário pode ser o Paraguai, a Coreia do Sul, a Bósnia-Herzegovina ou a Escócia, dependendo dos resultados finais do chaveamento. E se a Alemanha perder na próxima fase, pode acabar enfrentando a França nas quartas, o que agrava as críticas sobre a defesa, que mostrou vulnerabilidades contra o Equador.
A situação de Undav deixou de ser apenas uma questão de preferência tática e passou a ser vista como uma necessidade de escalação. Há um argumento crescente para que ele comece jogando, talvez com Havertz em um papel mais recuado, para dar uma nova dinâmica ao ataque.