Durante a janela de transferências, Morgan Rogers parecia ser a peça que faltava para o Arsenal. O clube trabalhou incansavelmente para convencê-lo a deixar o Aston Villa. Mas, no final das contas, a negociação acabou refletindo bem como o mercado de futebol funciona atualmente.
O Aston Villa foi firme em sua posição, pedindo mais de 116 milhões de libras pelo jogador. O Arsenal, por sua vez, havia estabelecido um teto de cerca de 80 milhões e não estava disposto a ultrapassar esse valor. O Chelsea viu uma oportunidade e, rápido, pagou o que foi pedido, fechando o negócio em poucos dias.
O Arsenal foi até consultado quando o Chelsea fez sua proposta final, mas optou por manter sua posição. Essa decisão vai além da perda de um jogador; demonstra a filosofia que Andrea Berta, o novo responsável pela montagem do elenco, pretende adotar. Agora, a grande dúvida é: qual será o próximo passo do Arsenal, que precisa reforçar seu ataque para continuar no mesmo nível de campeão que alcançou na última temporada?
### A Coerência do Arsenal
É fácil enxergar essa negociação como uma derrota, afinal, Rogers tinha muitas características que interessavam a Mikel Arteta. Ele trazia força física, velocidade, habilidade para receber a bola em espaços reduzidos e atuar em diversas posições do ataque. Para um Arsenal que enfrentou dificuldades contra defesas bem montadas na última temporada, ele poderia ter sido um jogador capaz de quebrar essa barreira.
Mais importante ainda, Rogers poderia ter resolvido um problema que o Arsenal enfrentou. O time tem um sistema bem estruturado, mas muitas vezes dependia demais de jogadas coletivas para criar oportunidades. Quando os adversários conseguiam neutralizar Martin Ødegaard e fechar os espaços, faltava um atacante que conseguisse acelerar o jogo sozinho. Rogers tinha o perfil ideal para essa função, pois poderia puxar as defesas para trás, criando espaço para os laterais e para jogadores como Bukayo Saka e Ødegaard.
O Chelsea entendeu essa necessidade e decidiu agir. Já o Arsenal preferiu não comprometer sua política financeira. Essa escolha pode parecer conservadora, mas faz sentido quando analisamos o histórico recente do clube. Após gastar valores altos em reforços como Declan Rice e Kai Havertz, eles parecem determinados a evitar leilões por jogadores. Andrea Berta chegou para trazer uma abordagem mais profissional e rigorosa na avaliação dos alvos.
### Possíveis Novos Alvos
Com a saída de Rogers, quem pode ser o próximo alvo do Arsenal? Segundo informações, Bradley Barcola está entre os nomes em vista. Ele é um jogador diferente, mas que pode ser ainda mais importante para o time.
Barcola é um ponta que gosta de receber a bola aberta, acelerar em um contra um e criar situações de superioridade nas laterais. Sua velocidade pode deixar qualquer defesa em apuros. No entanto, o Paris Saint-Germain considera Barcola quase inegociável e o valoriza em mais de 100 milhões de euros. Ou seja, o Arsenal pode se encontrar novamente em um dilema financeiro.
Outro nome que agrada Arteta é Julián Álvarez. Ele é um atacante completo, capaz de jogar como centroavante, falso nove ou até como meia ofensivo, além de ter um bom desempenho na pressão após a perda da bola. O problema é que o Atlético de Madrid deixou claro que ele não está à venda. Assim, os dois principais nomes que poderiam transformar o ataque do Arsenal são extremamente difíceis de contratar.
### Alternativas e Reforços
Christos Tzolis, que foi trazido do Club Brugge por 40 milhões de euros, pode ser uma peça importante. Ele é um ponta-esquerdo que pode substituir Trossard e até brigar pela posição de Martinelli. Tzolis tem boa capacidade de finalização e pode agregar profundidade ao ataque, mesmo que não altere drasticamente o nível competitivo do Arsenal nesse primeiro momento.
Além disso, o meio-campo também é uma prioridade. Bruno Guimarães é um dos jogadores monitorados, pois o Arsenal o considera um dos melhores meio-campistas da Europa. No entanto, só avançará caso o Newcastle aceite negociar dentro do que o Arsenal considera razoável.
A defesa também pode ser uma preocupação. Ezri Konsa é um nome que pode surgir como alvo, principalmente se as lesões de William Saliba persistirem durante a temporada. Embora o Arsenal tenha opções na zaga, a situação merece atenção.
### Reorganização do Elenco
A reorganização do elenco também é uma parte fundamental dessa janela. A venda de Trossard abre espaço para Tzolis, e Gabriel Jesus e Reiss Nelson estão entre os jogadores que o Arsenal pretende negociar. No caso de Jesus, sua saída pode indicar uma mudança de ciclo. Ele foi fundamental para elevar o nível do time, mas as lesões e a dificuldade em manter a regularidade como finalizador diminuíram sua importância.
Reiss Nelson, por outro lado, não conseguiu transformar seu potencial em protagonismo no time principal. Vender esses jogadores não só alivia a folha salarial, mas também cria espaço financeiro para que o Arsenal retorne ao mercado sem comprometer sua saúde financeira.
O elenco ainda é forte, com jogadores como Ødegaard, Rice, Saka, Havertz, Gabriel Magalhães e Saliba formando uma base sólida para qualquer competição. No entanto, ainda existem lacunas que precisam ser preenchidas: um defensor para lidar com lesões, um meio-campista jovem e um atacante decisivo para os jogos importantes.